Texto 1

É com Descartes que a oposição homem-natureza se tornará mais completa, constituindo-se no centro do pensamento moderno e contemporâneo. O homem, instrumentalizado pelo método científico, pode penetrar os mistérios da natureza e, assim, tornar-se “senhor e possuidor da natureza”.

(Carlos W. P. Gonçalves. Os (des)caminhos do meio ambiente, 1989.
Adaptado.)

Texto 2

Quando a gente quis criar uma reserva da biosfera em uma região do Brasil, foi preciso justificar para a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] por que era importante que o planeta não fosse devorado pela mineração. Para essa instituição, é como se bastasse manter apenas alguns lugares como amostra grátis da Terra.

(Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo, 2019.)

Ailton Krenak constata os princípios da filosofia cartesiana ao reconhecer que

  • a

    a natureza operacionalizada serve aos humanos de forma harmônica e reforça a relevância de todos os seres vivos.

  • b

    o método cartesiano tem sido utilizado na natureza a partir de medidas ecológicas estabelecidas pela Unesco.

  • c

    os órgãos oficiais vêm se esforçando pelo equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação da natureza.

  • d

    as instituições que representam a humanidade negligenciam a integral manutenção do meio ambiente.

  • e

    a dúvida cartesiana não permite afirmações sobre o desenvolvimento sustentável, por estas serem inconclusivas.

O texto 1 trata da relação entre ser humano e natureza na obra de René Descartes, a qual é marcada pela ideia de dominação, já que o homem aparece como “senhor e possuidor da natureza”. Embora o texto 2 não “constate os princípios da filosofia cartesiana” propriamente, é possível estender à referida visão cartesiana a crítica do autor à Unesco, já que se trataria de uma relação de justificativa à dominação da natureza.