Na ribeira do Eufrates assentado,
Discorrendo me achei pela memória
Aquele breve bem, aquela glória,
Que em ti, doce Sião, tinha passado.

Da causa de meus males perguntado
Me foi: Como não cantas a história
De teu passado bem e da vitória
Que sempre de teu mal hás alcançado?

Não sabes, que a quem canta se lhe esquece
O mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte.

Respondi com suspiros: Quando cresce
A muita saudade, o piedoso
Remédio é não cantar senão a morte.

(Luís de Camões, 20 sonetos. Org. Sheila Hue. Campinas: Editora da Unicamp, 2018, p.113).

Considerando as características formais e o núcleo temático, é correto afirmar que o poema retoma o dito popular

  • a

    “longe dos olhos, perto do coração”. 

  • b

    “mais vale cantar mal que chorar bem”. 

  • c

    “a cada canto seu Espírito Santo”. 

  • d

    “quem canta seus males espanta”.

O núcleo temático do soneto camoniano encontra-se expresso na terceira estrofe: “a quem canta se lhe esquece / O mal”, o que corresponde ao dito “quem canta seus males espanta”, retomado no soneto em seus elementos estruturais: “quem canta”, “mal” e “espanta” (que, no soneto, aparece como “se lhe esquece”).