Talvez o aspecto mais evidente da novidade retórica e formal na composição dessa obra seja justamente a metalinguagem ou a autorreflexividade da narrativa, quer dizer, o narrador 'explica" constantemente para o leitor o andamento e o modo pelo qual vai contando suas histórias. Essa autorreflexividade tem um importante efeito de quebra da ilusão realista, pois lembra sempre o leitor de que ele está lendo um livro e que este, embora narre a respeito da vida de personagens, é apenas um livro, ou seja, um artifício, um artefato inventado.

Pode-se dizer também que a reflexão do narrador, além de revelar a poética que preside a composição de sua narrativa, revela também a exigência dessa poética de contar com um novo tipo de leitor: o narrador como que pretende um leitor participante, ativo e não passivo.

 (Volantim Facioli. Um defunto estrambótico, 2008. Adaptado.) 

Tal comentário aplica-se à obra

  • a

    O Ateneu, de Raul Pompeia. 

  • b

    Iracema, de José de Alencar. 

  • c

    Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. 

  • d

    Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. 

  • e

    O cortiço, de Aluisio Azevedo. 

A "metalinguagem", a "quebra da ilusão realista" e o "leitor participante" são algumas das características das Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra cujas experiências discursivas vão além dos modelos da literatura dominante no século XIX.