Leia o poema de Alberto de Oliveira para responder à questão.

O muro

É um velho paredão, todo gretado1,
Roto2 e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensanguentado
E num pouco de musgo em cada fenda.

Serve há muito de encerro a uma vivenda3;
Protegê-la e guardá-la é seu cuidado;
Talvez consigo esta missão compreenda,
Sempre em seu posto, firme e alevantado.

Horas mortas, a lua o véu desata,
E em cheio brilha; a solidão se estrela
Toda de um vago cintilar de prata;

E o velho muro, alta a parede nua,
Olha em redor, espreita a sombra, e vela,
Entre os beijos e lágrimas da lua.

(Parnasianismo, 2006.)

1 gretado: rachado.
2 roto: danificado.
3 vivenda: pequena casa de campo.

O muro, personificado no poema,

  • a

    distrai-se de sua missão com atividades alheias a ela. 

  • b

    declara ter consciência do trabalho que incessantemente executa. 

  • c

    questiona o sentido de permanecer sempre no mesmo lugar. 

  • d

    cumpre com altivez, durante muito tempo, a função a ele atribuída. 

  • e

    dissimula, com sua aparência, sua essência imutável.

O muro retratado no poema é personificado, assumindo características como a altivez e a dignidade em cumprir a função a ele atribuída, como se observa em: “Serve há muito de encerro a uma vivenda / Protegê-la e guardá-la é seu cuidado” e “Sempre em seu posto, firme e alevantado”.