Considerando a relação direta entre o gênero retrato e as elites no Brasil, país em que tradicionalmente pessoas negras e indígenas não foram representadas em pinturas, as obras de Dalton Paula, protagonizadas por negros como Zeferina e João de Deus Nascimento, rompem com a tradição eurocêntrica, que invisibilizou esses indivíduos. Suas obras reparam simbolicamente essa ausência, resgatando memórias e afirmando identidades apagadas da história da arte brasileira. Assim, o artista evidencia que a arte pode promover formas de afirmação de identidade social, devolvendo protagonismo e humanidade a sujeitos historicamente marginalizados.