“Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.”

Os versos de Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, remetem

  • a

    à insurreição promovida por maçons e reinóis, adeptos do iluminismo, contra a cobrança do quinto real sobre a exploração de diamantes na Capitania de Minas Gerais. 

  • b

    à possibilidade de sublevação motivada pela defesa da liberdade, por indivíduos de diferentes setores de Minas Gerais, ante a ameaça de cobrança de impostos metropolitanos. 

  • c

    à disputa entre católicos apoiadores do recolhimento do dízimo nas Minas Gerais e republicanos defensores da suspensão de impostos cobrados pelo Estado e pela Igreja. 

  • d

    ao movimento de setores reacionários da sociedade mineira, responsáveis por conspirar contra os idealizadores da Conjuração e denunciar os seus planos de revolução. 

  • e

    à trapaça e delação, que fizeram parte da Conjuração e ocorreram em razão das discrepâncias ideológicas dos denunciantes em relação aos rebelados.

Os versos se referem à possibilidade de sublevação, na medida em que há apenas uma hipótese levantada a partir do verso “Se a derrama for lançada”. A discussão a respeito da bandeira do movimento demonstra a participação de diferentes setores da sociedade mineira setecentista, mencionados na referência à Maçonaria, ao Paganismo e à Igreja católica, que seriam mobilizados a partir da decretação da Derrama, um imposto que recairia sobre todos os colonos, devedores ou não, para se atingir a meta do envio de 100 arrobas de ouro para a Metrópole.