“Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.”
Os versos de Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, remetem
Os versos se referem à possibilidade de sublevação, na medida em que há apenas uma hipótese levantada a partir do verso “Se a derrama for lançada”. A discussão a respeito da bandeira do movimento demonstra a participação de diferentes setores da sociedade mineira setecentista, mencionados na referência à Maçonaria, ao Paganismo e à Igreja católica, que seriam mobilizados a partir da decretação da Derrama, um imposto que recairia sobre todos os colonos, devedores ou não, para se atingir a meta do envio de 100 arrobas de ouro para a Metrópole.