A citação a seguir, de Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, apresenta como o narrador conheceu o protagonista.
Num país em que, com tanta facilidade, se fabricam manipansos milagrosos, ídolos aterradores e deuses onipotentes, causa pasmo que a Secretaria dos Cultos não seja tão conhecida como a da Viação. Há, entretanto, nela, no seu Museu e nos seus registros, muita cousa interessante e digna de exame.
Foi, por ocasião de desempenhar-me da incumbência do meu diretor, que vim a conhecer Gonzaga de Sá, afogado num mar de papeis, na seção de “alfaias, paramentos e imagens”, informando muito seriamente a consulta do vigário de Sumaré, versando sobre o número de setas que devia ter a imagem de S. Sebastião.
(BARRETO, Lima. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. São Paulo: Edição da Revista do
Brasil, p. 17, 1919.)
A partir dessa citação e da leitura do romance, é correto afirmar que Lima Barreto usa a personagem Gonzaga de Sá para
Um dos principais temas da obra de Lima Barreto é a crítica ao excesso de burocratização do serviço público e, por extensão, do Estado em geral. Em Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá não é diferente. A obra apresenta o personagem de Gonzaga, um funcionário público muito bem formado, inteligente e reflexivo, em contraste com a burocracia estatal com a qual trabalha na Secretaria dos Cultos. O personagem é utilizado pelo autor, neste contexto, para revelar o valor e a importância do indivíduo, mesmo que esteja muitas vezes dedicado a questões burocráticas e de pouca relevância.