Texto 1

Texto 2

O espírito de consumo conseguiu infiltrar-se até na relação com a família e a religião, com a política, com a cultura e o tempo disponível. Daí a condição profundamente paradoxal do hiperconsumidor. De um lado, este se afirma como um consumidor informado e livre, que vê seu leque de escolhas ampliar-se, age procurando otimizar a relação qualidade/preço. Do outro, os modos de vida, os prazeres e os gostos mostram-se cada vez mais sob a dependência do sistema mercantil.

(Gilles Lipovetsky. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo, 2007. Adaptado.)

a) Apresente qual crítica os textos 1 e 2 trazem em comum e cite a escola filosófica que tem por foco essa mesma reflexão.

b) Em que consiste o paradoxo do hiperconsumidor e como esse paradoxo está presente no texto 1?

a) Os textos 1 e 2 tratam do espírito do consumo, e tratam o consumo como “hiperconsumo”, justamente porque se trata de uma nova forma de consumir, cujas consequências estariam visíveis na individualização, no luxo desmesurado, na carência, no conforto, nos riscos não calculáveis e no conformismo humano. A corrente filosófica que reflete sobre tal fenômeno é a Escola de Frankfurt, nascida nos anos 1920 na Alemanha, que desenvolveu a chamada Teoria Crítica.
b) O conceito de paradoxo do hiperconsumidor tem sua origem na moderna sociedade industrial, em que o consumo da produção em massa é impulsionado pela propaganda nas mídias de massa. É paradoxal que, ao mesmo tempo em que se valoriza uma suposta livre escolha, cada indivíduo esteja inserido num contexto em que “os prazeres e os gostos mostram-se cada vez mais sob a dependência do sistema mercantil”. Em outras palavras, os consumidores podem escolher, mas sempre entre opções mais ou menos permanentes. Só não podem optar por escapar ao papel de consumidor.