Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material?

(Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.)

No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma 

  • a

    desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas. 

  • b

    antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias. 

  • c

    serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico. 

  • d

    é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial. 

  • e

    é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade.​

O texto de santo Agostinho afirma que a alma “é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria”. Trata-se de uma expressão da concepção agostiniana segundo a qual as substâncias imateriais têm primazia sobre as demais, conforme a afirmação da alternativa correta.